Os selos não contam a história toda

Mónica Felgueiras

5/11/20262 min read

Perfect Place to Work não existe.

O que aprendi depois de quase três anos no Great Place to Work?

Durante quase três anos trabalhei no GPTW Portugal.
Vi por dentro o que muitos só veem por fora: selos, rankings, prémios, campanhas, histórias inspiradoras e empresas orgulhosas a celebrar a sua cultura.

E sim, existe mérito e trabalho para se estar ali presente.
E essencialmente existe intenção por parte das organizações.
Porém, existe um lado que ninguém fala, e todos sabemos: os selos não contam a história toda.

O paradoxo dos selos
Quantos de nós já estivemos ou ambicionamos estar numa destas “Melhores Empresas para Trabalhar”?
Eu estive de fora e dentro – analisei e trabalhei em mais até que uma.
É um símbolo de status corporativo.
Um carimbo que promete cultura, bem‑estar, liderança exemplar, segurança psicológica.

Mas nenhum destes selos promete Perfect Place to Work.
E isso é a verdade que ninguém gosta de admitir.

Os selos medem perceções num momento específico.
Não medem silêncios dos que têm medo de falar.
Não medem lideranças que só funcionam que só lideram “para cima”
Não conseguem medir a cultura que se vive no corredor - a famosa “rádio alcatifa”

Existem métricas que não aparecem nos relatórios

  • A insegurança do “não concordo”.

  • O receio de assumir erros.

  • A sensação de que ser autêntico é um risco.

  • A cultura que muda quando os números não aparecem.

E, no entanto, isto é realmente um lugar “great”, não "perfect".

A realidade que aprendi a trabalhar no GPTW

As empresas querem ser reconhecidas.
E isso é legítimo, o selo ajuda a atrair talento, reforça a marca e inspira orgulho interno.

Mas aquilo que faz uma empresa ser realmente incrível não é o selo.
É a coragem de criar uma empresa onde as pessoas se sentem seguras para ser… elas mesmo.
Reais. Imperfeitas. Humanas.

E isso não se compra, não se certifica, não se imprime em placa.

A ilusão da perfeição
Vivemos numa era em que as empresas querem ser “as melhores”.

Não há perfect places, nem perfect workers.
Existem relações, conversas difíceis, vulnerabilidade, escuta ativa, liderança consciente.
Existe cultura que se constrói todos os dias, não uma vez por ano numa festa ou jantar de empresa.

Conclusão
Os selos são importantes.
Mas são apenas o reflexo do caminho que a empresa quer seguir.

O trabalho a sério inicia-se quando se deixa de procurar perfeição e começa-se a procurar a verdade.

Nenhum selo diz Perfect Place to Work.
Porque o que torna um lugar incrível são pessoas reais, não Perfeitas.